Estamos conectados?

inteligencia

Nos encontramos. Como? Pouco importa. Importa que não havia Wifi ou 3g entre nós. O celular tampouco foi visto naquelas horas de conversas onde nossos mundos pareciam se fundir. Presença era encontro. Sobre o mundo lá fora…sei lá. Sei do que vivi e do que deveras vivemos. Sei do tempo que se relativizou e do relógio que ficou tão louco que voou…pra bem longe!

Momentos de troca em que se esquece de tudo a sua volta são raros. Não se engane em achar que “é coisa da sua cabeça” ou “só eu estava lá”. Todos que o vivem, de fato, lá estão. Mas quando o momento passa, deixamos de acreditar, criamos histórias e confundimos a realidade com a nossa própria imaginação. É possível ser tão bom assim?

Poucas vezes nos sentimos confortáveis com alguém como com a gente mesmo. Aliás, às vezes nem com a gente a gente se sente bem, não é mesmo?

Fato é que a plenitude assusta. E a pior das tragédias é percebê-la. Passamos a criar enredos, desfechos e ainda mais: começamos a nos contar um milhão de histórias de terror sobre como aquilo que é tão bom poderá nos ser tirado um dia. Até o dia em que realmente é.

Quando a conexão se torna virtual, aí fodeu. Digita, apaga, digita, apaga. “Se eu escrever isso, vai pensar aquilo e aí vai acontecer outra coisa.” Manipulamos, vacilamos e afastamos. As palavras são tão rasas e a distância só aumenta. Precisamos mesmo verbalizar o que sentimos?

O plano de fundo do WhatsApp não traz a paisagem da presença; os emotion tampouco dão conta das caretas que queremos falar ao nos expressar. O “HAHAHAHA” por maior que seja não substitui o valor da risada partilhada.

Nos conectamos virtualmente para nos desconectar fisicamente. É mesmo possível? Trocamos palavras sem significado e colecionamos vazios existenciais. É mesmo esse o fim das conexões pessoais? Nascidas da comunicação, do olho no olho, da troca. Mortas em um like no Facebook, no Instagram e nas tantas outras redes sociais.

Sei que quanto mais o espaço da dúvida se abre mais essas ferramentas nos afastam. Abra espaço acreditar, sentir e viver e verá pessoas rindo como idiotas para o celular, o mínimo sinal de mensagem fará alguém pular da cadeira e o coração disparar. Comunicação se torna imersão. Caminho para a sensação…da presença!

Somos complexos. Temos medos, julgamos e nos julgamos. Talvez seja por isso que um “oi, tudo bem?” tem tantas formas de ser escrito (beleza? e aí?). Como queremos soar para nós e para os outros? Mas…qualquer dessas perguntas importam? No momento da presença, do olho no olho, você se preocupou com tudo isso?

Na verdade, sorte seria continuar vivendo sem perceber. Sorte seria não tentarmos abraçar aquilo que nos foge. Sorte é viver. Sem a rede para nos colocar em contato de tantas formas. Sem a necessidade de colocar em palavras aquilo que apenas se sente.

Sorte mesmo é nos encontrar e perder por acaso pela vida, sem qualquer pretensão.

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